- notícias, pesquisas e um livro ruim sobre a comunidade muçulmana em Angola
1.Angola tem cerca de 800.000 muçulmanos (duvidoso), entre nacionais e
estrangeiros residentes, na sua maioria em Luanda, que cumprem diariamente com
rigor os pilares do islamismo, por entre lamentações sobre a forma como são
encarados no país.
2. Os muçulmanos em Angola são, maioritariamente cidadãos
oeste-africanos (Guiné-Conakry, Mali, Mauritânia, Gâmbia, Senegal, etc.) estão
a servir de bodes expiatórios para um problema estrutural muito mais profundo.
Regra geral, os oeste-africanos mantêm-se à margem da economia formal,
dedicando-se ao comércio precário de venda retalhista, cantinas e armazéns nos
bairros periféricos. Nas Lundas, servem de compradores de diamantes para
cidadãos israelitas e libaneses, maioritariamente.
3. Desde a operação resgate de 27 de novembro a 25 de dezembro
de 2018, as autoridades angolanas encerramento menos 39 mesquitas, em Angola.
Aly António Muhalia, secretário regional do Islão na Lunda,
declarou ao nosso correspondente, em Luanda, Daniel Frederico, ser uma violação
da liberdade do culto muçulmano.
De notar que a religião islâmica ainda não é reconhecida
pelas autoridades angolanas, mas noutras províncias angolanas, como na capital
do país, as atividades dos muçulmanos "decorrem na normalidade" mas
nas provincias como Cabinda, Zaire, Uíge e Lunda Norte, continua com restrições.
http://www.rfi.fr/pt/angola/20190506-autoridades-angolanas-encerram-mesquitas-em-tempo-de-ramadao
4. Angola não reconhece a religião islâmica, e, segundo António
Aly, secretário da comunidade islâmica na Lunda Norte, nesta altura, não há
nenhuma congregação aberta na região. Na última sexta-feira (08.02), foram
detidos pastores que se encontravam em oração numa das mesquitas.
"Quando estávamos a rezar, surgiram os homens da
polícia e entraram dentro da igreja e começaram a algemar os pastores",
disse Aly.
Entretanto, os pastores foram colocados em liberdade.
Face a esta situação, o jornalista e analista angolano
Ilídio Manuel não tem dúvidas: A "Operação Resgate" coloca em causa a
liberdade religiosa em Angola.
"Há determinados locais de culto que foram encerrados
no âmbito da 'Operação Resgate'. Não tenho dúvidas sobre isso. Tanto mais que
já se fala também da detenção de alguns religiosos, que terão insistido com a
sua atividade religiosa", disse Ilídio Manuel.
https://www.dw.com/pt-002/angola-opera%C3%A7%C3%A3o-resgate-p%C3%B5e-em-causa-a-liberdade-religiosa-diz-analista/a-47517678
5. Angola quer fomentar diálogo com minorias religiosas,
“sobretudo com muçulmanos” – Governo
Angola quer "fomentar o diálogo" com as minorias
religiosas, "particularmente com a comunidade muçulmana", disse hoje
fonte oficial, considerando que o país "tem sido um exemplo", na
região e no continente, em matéria de promoção da liberdade religiosa.
Segundo a secretária de Estado para os Direitos Humanos e
Cidadania angolana, Ana Celeste, as ações relativas à proteção, defesa e
promoção da liberdade religiosa no país estão em perfeito alinhamento com o
Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos.
A governante, que falava hoje na abertura de um seminário
sobre Direitos Humanos e Liberdade de Religião, referiu que o executivo
angolano está firmemente empenhado na normalização da situação religiosa.
Outro "compromisso importante" do país, observou,
tem a ver com a "promoção do processo de reconhecimento das confissões
religiosas e, ao mesmo tempo, proteger os cidadãos de todas as práticas
religiosas que violam os direitos humanos".
"Dentre várias preocupações, destaca-se o tratamento
discriminatório dado às mulheres, designadamente, a relegação à condição de
estigmatização, mutilação genital feminina e a o casamento poligâmicos e
desiguais", afirmou.
Angola conta atualmente com 84 igrejas registadas e/ou
reconhecidas pelas autoridades e mais de mil não reconhecidas.
O islamismo, que conta com milhares de crentes espalhados
pelo país, ainda não é reconhecido pelas autoridades angolanas.
O seminário resulta do Plano de Execução da Estratégia
Nacional dos Direitos Humanos, "recentemente aprovada", e do
"compromisso assumido por Angola" aquando da defesa do II Relatório
de Implementação do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e do II
Ciclo de Avaliação Periódica Universal.
Sensibilizar a sociedade angolana sobre a liberdade de
religião, "a partir de uma perspetiva de direitos humanos, fomentar o
diálogo com as minorias religiosas, com particular realce para a comunidade
muçulmana e promover a cultura dos direitos humanos", constituem os
objetivos do encontro, segundo a governante.
"O presente seminário evidencia a nossa dimensão
inter-religiosa enquanto nação, pois, conseguimos congregar neste evento, num
clima totalmente harmonioso, pessoas de diferentes sensibilidades do nosso
mosaico religioso", sublinhou.
Para Ana Celeste, a liberdade religiosa "relaciona-se
fortemente com uma série de benefícios económicos, cívicos e de saúde
pública".
"Numa perspetiva individual, as pessoas religiosas e
que praticam a sua fé podem ter melhor vida familiar", notou.
Segundo as autoridades, 41% da população angolana é católica
e 79% professa o cristianismo.
O encontro que juntou minorias religiosas, sobretudo
muçulmanos, foi promovido pelo Ministério da Justiça e Direitos Humanos de
Angola com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Angola aprovou, em 2019, a lei sobre a liberdade de religião
e de culto, diploma regulamentado em fevereiro de 2020.
6. Os muçulmanos em Angola são, maioritariamente cidadãos
oeste-africanos (Guiné-Conakry, Mali, Mauritânia, Gâmbia, Senegal, etc.) estão
a servir de bodes expiatórios para um problema estrutural muito mais profundo.
Regra geral, os oeste-africanos mantêm-se à margem da economia formal,
dedicando-se ao comércio precário de venda retalhista, cantinas e armazéns nos
bairros periféricos. Nas Lundas, servem de compradores de diamantes para
cidadãos israelitas e libaneses, maioritariamente.
7. Desde a operação resgate de 27 de novembro a 25 de dezembro
de 2018, as autoridades angolanas encerramento menos 39 mesquitas, em Angola.
Aly António Muhalia, secretário regional do Islão na Lunda,
declarou ao nosso correspondente, em Luanda, Daniel Frederico, ser uma violação
da liberdade do culto muçulmano.
De notar que a religião islâmica ainda não é reconhecida
pelas autoridades angolanas, mas noutras províncias angolanas, como na capital
do país, as atividades dos muçulmanos "decorrem na normalidade" mas
nas provincias como Cabinda, Zaire, Uíge e Lunda Norte, continua com restrições.
http://www.rfi.fr/pt/angola/20190506-autoridades-angolanas-encerram-mesquitas-em-tempo-de-ramadao
Angola não reconhece a religião islâmica, e, segundo António
Aly, secretário da comunidade islâmica na Lunda Norte, nesta altura, não há
nenhuma congregação aberta na região. Na última sexta-feira (08.02), foram
detidos pastores que se encontravam em oração numa das mesquitas.
"Quando estávamos a rezar, surgiram os homens da
polícia e entraram dentro da igreja e começaram a algemar os pastores",
disse Aly.
Entretanto, os pastores foram colocados em liberdade.
Face a esta situação, o jornalista e analista angolano
Ilídio Manuel não tem dúvidas: A "Operação Resgate" coloca em causa a
liberdade religiosa em Angola.
"Há determinados locais de culto que foram encerrados
no âmbito da 'Operação Resgate'. Não tenho dúvidas sobre isso. Tanto mais que
já se fala também da detenção de alguns religiosos, que terão insistido com a
sua atividade religiosa", disse Ilídio Manuel.
8. Este livro tem como objetivo, demonstrar a diferença entre o
cristianismo e o islamismo quanto a sua teologia (revelação de Deus,
compreensão da salvação, e a concepção da prática da implantação do reino de
Deus); quanto a seus objetivos (incluindo principalmente o estabelecimento do
Reino de Deus na terra); e quanto a sua influência em Angola. Com isso o autor
procura defender uma proposta de reação bíblica e cristã para a Igreja Angolana
diante do avanço do Islamismo em Angola; com o intuito de despertar a Igreja
Angolana para sua obrigação cristã de evangelizar todos os mulçumanos que moram
em seu território. Para isso o autor espera que esta obra possa apontar uma
conduta religiosa que possa contribuir para a manutenção da liberdade religiosa
e a liberdade de expressão e ideias, apresentando um discurso comparativo e
crítico para que os amigos mulçumanos possam considerar a hipótese de que o
cristianismo é a religião que une o homem a Deus.
9. MULHERES E CONVERSÃO AO ISLAM EM LUANDA (ANGOLA)
Heloisa Maria Paes de Souza
Texto apresenta a pesquisa de doutorado na qual pretende-se
construir uma etnografia das conversões de mulheres ao islam na província de
Luanda (Angola). A partir da compreensão de que conversão religiosa não é evento
único, mas mudança cultural, processual, que implica aprendizagem/internalização
de outra perspectiva de mundo e do sagrado, pretende-se compreender o porquê da
opção das mulheres pelo islam, haja vista que a mídia angolana reproduz imagens
negativas sobre a religião e que as lideranças muçulmanas ainda não obtiveram o
reconhecimento jurídico, critério para que uma confissão religiosa seja legal
no país.
Defendo a hipótese de que quando mulheres se convertem ao
islam, religião aparentemente distante da matriz cultural angolana/lusófona,
passam a ocupar posição entre dois mundos, tendo dificuldades para serem vistas
e aceitas como angolanas, principalmente quando adotam práticas de modéstia
como o uso do hijab. Os resultados têm mostrado que as convertidas lutam contra
estereótipos e, em muitos casos, vivenciam situações de conflito na família e
no trabalho.
Algumas convertidas procuram conciliar suas realidades com o
ideário nativo sobre a “mulher muçulmana”, gerenciando suas vidas cotidianas a
partir de interpretações dos textos canônicos que lhes conferem maior
empoderamento.
10. “Uma religião de estrangeiros e alheia à cultura nacional”:
discursos e ações contra o Islam em Angola - Heloisa Maria Paes de Souza (UFPA)
Resumo:
Desde suas origens o Estado angolano procura manter o controle das
religiões no espaço
público através de um modelo de gestão intervencionista caracterizado,
atualmente, pela
Lei sobre Exercício da Liberdade de Consciência, de Culto e Religião,
de 2004, que
estabelece os requisitos necessários para que as religiões sejam
reconhecidas legalmente
e tenham capacidade para atuar em favor de seus membros. Nesse cenário,
todas as
tentativas de reconhecimento jurídico empreendidas por organizações
islâmicas têm sido
negadas, chegando ao ponto de, no último semestre de 2013, o governo
angolano
interditar e/ou destruir espaços de culto (mesquitas e centros
islâmicos) em diversas
províncias, o que levou a mídia internacional a propagar que Angola
teria banido o Islam
de suas fronteiras. Alegando que a religião muçulmana é praticada por
estrangeiros
(muitos dos quais em situação ilegal), que submete as mulheres à
condição de
submissão/opressão e que é uma crença estranha à cultura nacional,
líderes religiosos e
governamentais têm se expressado contra o Islam na mídia local,
reproduzindo discursos
islamofóbicos. O presente artigo, fruto de pesquisa bibliográfica e de
campo (entre 2015
e 2017), objetiva, a partir de um breve histórico do Islam em Angola,
apresentar as tensas
relações vividas pela comunidade muçulmana local na luta pelo
reconhecimento jurídico,
assim como discursos e ações contrários à presença islâmica no país.
11- Angolanos queriam trazer doutrina do Estado Islâmico em Luanda
O Ministério Público acusou formalmente seis jovens, de nacionalidade
angolana, cinco dos quais em prisão preventiva desde Dezembro, de organização
terrorista e de terem jurado “fidelidade e obediência” ao Estado Islâmico.
De acordo com a acusação deduzida contra os seis elementos, de 26 de
abril e à qual a MFM teve acesso, estes criaram em 2015, em Angola, o “grupo
muçulmano radical denominado ‘Street Da Was’”.
Os arguidos, com idades entre os 23 e os 39 anos e residentes em
Luanda, de acordo com a acusação, criaram aquele grupo, “formado por cidadãos
nacionais convertidos ao Islão“, que “tinha como objetivo a divulgação do
islamismo nas ruas, usando a sigla ‘ISLAMYA ANGOLA’” e que “publicava e
disseminava entre os seus membros, através das redes sociais, matérias e temas
de cariz radical”.
12. DECISÕES A FAVOR E CONTRA A IMPLANTAÇÃO DE MESQUITAS EM ANGOLA
Maka Angola ilustra a sua investigação sobre o Islão com a descrição
cronológica de algumas medidas das autoridades locais a favor e contra a
implantação do Islão nas províncias de Luanda, Zaire, Lunda-Norte, Malange,
Huambo e Bié.
13. RELATÓRIO INTERNACIONAL SOBRE A LIBERDADE RELIGIOSA EM ANGOLA DE 2019
14. Islão Ambivalente: A construção identitária dos muçulmanos sob o poder
colonial português
Mário Artur Machaqueiro
Baseado em documentação de arquivos portugueses e franceses, o artigo
procura assinalar as mais notórias representações identitárias que ideólogos e
membros do aparelho colonial português construíram em torno dos grupos
islâmicos da Guiné-Bissau e de Moçambique, incidindo especialmente nesta última
colónia. Tais imagens articularam-se com as estratégias de governação das
populações muçulmanas num quadro colonialista, sobretudo após a eclosão das
guerras coloniais. O artigo defende que a posição semiperiférica de Portugal no
sistema-mundo conferiu às suas representações e estratégias identitárias,
nomeadamente às que se reportam aos muçulmanos colonizados, um carácter de
profunda ambivalência
https://journals.openedition.org/cea/392
15. “O Islão em Angola já é uma realidade”
O impasse da legalização do islamismo em Angola persiste, com várias
vozes a acusar o governo de dificultar o processo e relatos de crispação
interna. O seu vice-emir (título laico atribuído a um líder), Altino Miguel
“Umar”, em declarações ao Rede Angola, afirma que os maiores problemas são o
exagerado número de fiéis exigido na actual lei sobre a liberdade religiosa, as
perseguições a que são sujeitos os fiéis e aventa a possibilidade de haver
envolvimento político no impasse que continua no processo de reconhecimento.
Criada em 2007, a Comunidade Islâmica de Angola (CISA) teve a sua
primeira direcção em 2010. Até então era governada por uma comissão ad hoc,
actualmente liderada pelo emir Mateta Nzola.
16. Islam in Southern Africa
Gorkeh Gamal Nkrumah




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