domingo, 28 de junho de 2020

Teologias Enganadoras - “Complexidades das Teologias da Riqueza e da Prosperidade”





2º Simpósio sobre Teologias Enganadoras, sob o tema “Complexidades das Teologias da Riqueza e da Prosperidade”

Prezados membros da Igreja / Conselho Nacional de Igrejas / Associações Teológicas / Seminários,

Receba saudações de paz da Conferência de Igrejas de toda a África (AACC). É nossa esperança e oração que Deus esteja protegendo você e sua família durante esta pandemia global do COVID-19.

A Teologia da AACC, as Relações Inter-Religiosas e o Desenvolvimento da Liderança Eclesial têm o prazer de anunciar o 2º Simpósio sobre teologias enganosas, sob o tema “Complexidades das Teologias da Riqueza e da Prosperidade”, programado para ocorrer em Nairobi, Quênia, de 23 a 27 de novembro de 2020 (as datas incluem chegadas e partidas).

Encontre o folheto de convite e o formulário de inscrição em anexo. O formulário de inscrição pode ser acessado on-line em:

Estamos cientes de que o COVID-19 afetou todo o continente e o mundo em geral; no entanto, gostaríamos de incentivar e instar os interessados ​​a se inscrever, mesmo quando esperamos e oramos para que a pandemia seja contida e o mundo seja curado antes das datas estabelecidas. "Vamos manter firme a confissão de nossa esperança sem vacilar, porque quem prometeu é fiel". Hebreus 10:23.

Com nossa mais profunda gratidão e orações

Rev. Prof Bosela Eale
Diretor
Teologia, relações inter-religiosas e desenvolvimento da liderança eclesial


POSIÇÃO DA LIDERANCA RELIGIOSA SOBRE O REINÍCIO DOS CULTOS: adiar!




- Conselho de Igrejas Cristãs em Angola - C I C A

CICA reúne em sessão extraordinária do Comité Executivo
Em alusão a retomada da realização de cultos e outras actividades religiosas previstas para Quarta-feira, dia 24 de Junho, conforme o Decreto Presidencial nº 142/20 de 25 de Maio sobre o Estado de Calamidade Pública, esteve reunido em Luanda, em sessão extraordinária, o Comité Executivo do CICA, com o objectivo de analisar a situação da Igreja no contexto actual.
   
POSIÇÃO DA LIDERANCA RELIGIOSA SOBRE O REINÍCIO DOS CULTOS

Em alusão a retomada da realização de cultos e outras actividades religiosas previstas para o dia 24 de Junho, conforme o Decreto Presidencial nº 142/20 de 25 de Maio sobre o Estado de Calamidade Pública,

Esteve reunido nas instalações das Cáritas de Angola sita na rua 21 de Janeiro em Luanda, em sessão extraordinária o Comité Executivo do Conselho de Igrejas Cristãs em Angola, com o objectivo de analisar a situação da Igreja Cristã em Angola no contexto actual.

A sessão foi presidida pelo Presidente da Assembleia Geral e do Comité Executivo, Coronel Garcia Matondo, ladeado pela Secretária Geral do CICA, Revª Deolinda Dorcas Teca, na qual participaram líderes das Igrejas e Organizações Baseadas na Fé, que constituem esta Instituição ecuménica.

O momento devocional foi presidido pela Secretária Geral que na sua mensagem faz alusão ao impacto negativo da pandemia da COVID-19, nos diversos sectores da vida espiritual, económica e social.

A Secretária Geral do CICA enalteceu o papel das Igrejas durante o Estado de Emergência e de Calamidade Publica em que as denominações membros não cruzaram os braços, tendo contribuído na informação e sensibilização das comunidades, na formação de activistas de luta contra a Pandemia bem como no apoio às famílias vulneráveis.

O encontro extraordinário abordou questões ligadas à situação actual da Igreja cristã em Angola; A Igreja visível e invisível e Perspectivas para realização da 69ª Sessão Ordinária do Comité Executivo.

Na abordagem dos assuntos agendados, os membros do Comité Executivo chegaram às seguintes conclusões:


  • Os Líderes das Igrejas agradecem o Executivo Angolano pela maneira como lida com a pandemia da Covid-19 que há mais de três meses, assola o convívio habitual da nação angolana.
  • Encoraja o desempenho da Comissão Multissectorial na contenção da pandemia no nosso país.
  • Os Líderes consideram a Pandemia da COVID-19 como um mal global, que afecta a vida económica e social dificultando as actividades congregacionais da Igreja, mormente os Cultos públicos, desde Março de 2020, com consequências preocupantes para a vida espiritual, social e económica da Igreja visível. E reiteram o seu compromisso de continuar a trabalhar na sensibilização das comunidades para o combate da Pandemia.
  • A liderança Religiosa lamenta o mal que o CORONA VIRUS constitui, pela obstrução da Agenda da Igreja com a paralisação de muitas actividades. Contudo, fortalece a espiritualidade das famílias, embora reconhecem que o discernimento da Palavra de Deus a nível de algumas famílias não é eficiente.
  • Os Líderes saúdam e apoiam a decisão do Ministério da Saúde pelo cancelamento da retoma dos Cultos anteriormente previsto para 24 de Junho, nas Províncias de Luanda e Kwanza Norte, como forma de acautelar a que os ajuntamentos característicos não venham a ser focos de contaminação massiva das pessoas. Pois, a situação actual requer de todos nós um posicionamento sábio e responsável, porquanto a graça de Deus deve ser correspondida com a responsabilidade individual e colectiva.
Quanto às outras Províncias não mencionadas, o CICA apela a observação rigorosa das medidas de prevenção, mantendo sempre a prudência em qualquer actividade ou local, pois lutamos contra um inimigo invisível.


  • O Comité Executivo deplora o comportamento de algumas pessoas que insistem na violação da cerca sanitária, pondo em risco a segurança epidemiológica do País nos mais diversos pontos. Por outro lado, reitera o seu conselho no sentido de acatamento por todos, das medidas preventivas tomadas pelas autoridades.
  • Os Líderes consideraram a COVID-19 uma calamidade com implicações espirituais, pelo que, recomendam as Igrejas membros adoptar estratégia de criação de Grupos de Intercessão a nível de cada denominação como pontos de clamor permanente a Deus a favor da cura humana contra a Pandemia. Para tal, o CICA deve emitir uma petição escrita à Comissão Multisectorial para a sua efectivação.
  • Os Líderes manifestam a sua preocupação com o anúncio da retoma provável dos voos internacionais a partir o dia 30 de Junho, por constituir o incremento da ameaça de contágio, enquanto a situação epidemiológica continuar a evoluir negativamente. A economia dos Estados é de facto valiosa. Porém o seu valor não excede ao valor da vida humana.
Finalmente o CICA encoraja as comunidades a manter-se calmas, firmes, coesas e prudentes face ao actual contexto, respeitando escrupulosamente as orientações das autoridades angolanas.


Luanda, 23 de Junho de 2020






Formação Ecumênica de ativistas de saúde e direitos


Angola - COVID-19:  forma activistas de sensibilização comunitária

Mais de 200 activistas entre os quais jovens, mulheres e técnicos de saúde de diferentes Igrejas beneficiaram de 15 a 18 de Junho, ferramentas úteis para levar a cabo a campanha de sensibilização comunitária da luta contra a COVID-19 e prevenção da violência doméstica.

A iniciativa é da direcção da juventude (JUCICA) em parceria com o Departamento da Mulher (DM) e a Comissão Médica Cristã (CMC), órgãos ligados ao Conselho de Igrejas Cristãs em Angola.


A formação para actuar na campanha de conscientização, tem por finalidade, levar a mensagem simples, directa e impactante a cada pessoa, contribuindo assim na redução dos casos de transmissão do novo coronavírus e o índice de violência que se regista nas famílias, nesta época de confinamento.

O senhor Jorge Duarte da Direcção Provincial da Saúde de Luanda e a senhora Diavava Jacqueline de Deus, Directora do DM, abordaram respectivamente temas ligados a Prevenção contra COVID-19 e, Prevenção contra violência doméstica.

Ao longo de quatro dias, a formação de activistas dividida por zonas, decorreu nas Igrejas Evangélica Baptista (IEBA) da Petrangol, Metodista Episcopal Africana Sião (IMEAS) do Zango, Exército de Salvação do Palanca e Evangélica Congregacional do Bom Pastor (IECA), Rocha Pinto.



A Igreja como reserva moral da sociedade tem um papel fundamental na educação e prevenção da violência doméstica e COVID-19, e por trabalhar com as comunidades, carregam a responsabilidade de sensibilizar, instruir e mobilizar as pessoas, no sentido de cumprir as medidas de distanciamento e promover a convivência sadia entre membros da mesma sociedade, defende os objectivos da formação.
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Lobito: Igrejas reforçam a formação em biossegurança

- O Revº Mestre Matumona Lunfuankenda, Moderador da Subcomissão Ecuménica de Cooperação do CICA no Município do Lobito, disse que as Igrejas locais continuam a preparar-se para a biossegurança dos locais de cultos e não só devido ao contagio da pandemia do coronavírus.
O sacerdote falava ao Flash de Notícias no final da formação realizada no dia 19 de Junho no quadro dos preparativos da retomada de cultos congregacionais, volvidos três meses da sua paralisação em obediência ao Decreto Presidencial sobre o Estado de Emergência e de Calamidade Pública.
Para ele, caso houver mais de um culto ou serviço divino, deve-se manter um intervalo temporal de uma hora para a desinfestação do recinto, do templo e dos utensílios a serem usados.

“Na entrada principal do recinto, coloca-se um tapete molhado com lixívia não diluída acto que será antecedido pela lavagem das mãos com a água corrente e sabão ou álcool gel”, sublinhou.

O Moderador da Subcomissão Ecuménica de Cooperação do Lobito defende por outro lado com aplicação de medidas de biossegurança, as Igrejas sem dúvidas vão contribuir na criação das condições que farão com que os cultos se realizem sem problemas e que as mesmas não se tornem em locais de contaminação comunitária.
A laia de conclusão, o pastor sublinha ainda “nossa oração é que Deus manifeste a sua soberania e graça de maneira que o povo arrependido que se reunirá para o culto encontre soluções e cura na presença de Deus e não problemas”.

A formação teórica e prática com instrumentos apropriados orientada pelo senhor Moisés António Ngonga, da Comissão Municipal de Luta contra a COVID-19, concentrou-se na higienização e desinfestação.
A sessão que decorreu no Pastorado da Canata da Igreja Evangélica Congregacional em Angola (IECA), contou com a participação de pastores, mulheres, jovens e elementos do Protocolo ligados as Igrejas membros do CICA.


sábado, 27 de junho de 2020

A jovem, valiosa e reduzida força de trabalho de saúde em África em risco



- O coronavírus coloca em risco uma força de trabalho "muito, muito finita": médicos e enfermeiros da África

Médicos na Nigéria entraram em greve, exigindo máscaras faciais e salários que refletem o risco crescente de crise no setor. 25 de junho de 2020 
Os funcionários do hospital na Guiné-Bissau tiveram que fechar uma enfermaria de tratamento depois que quase todos no local ficaram doentes.
Enfermeiras nos Camarões estão trabalhando em febres - até esquivando-se de testes - porque não podem se dar ao luxo de perder o salário de um turno.

A pandemia de coronavírus aumentou sua influência em grande parte da África, onde os casos relatados mais do que triplicaram no mês passado, colocando em risco as equipes médicas sobrecarregadas à medida que a necessidade de cuidados aumenta.

Desde os primeiros dias da pandemia, líderes em todo o continente pediram prevenção e tomaram ações agressivas - selando fronteiras, rastreando contatos e construindo enfermarias de isolamento extra - afirmando que muitos lugares careciam de recursos para resistir a surtos não controlados.

Agora, autoridades africanas de saúde e profissionais médicos estão levantando preocupações sobre rachaduras em uma armadura crucial: as infecções entre os profissionais de saúde aumentaram 203% desde o final de maio, segundo o braço da Organização Mundial da Saúde na África, após um aumento na transmissão da comunidade e uma queda no acesso ao equipamento de proteção.
As tendências assustaram os epidemiologistas dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças da África, que alertaram em um relatório de junho que a maioria dos países enfrenta uma "escassez catastrófica" de profissionais médicos.

Embora o novo coronavírus tenha infectado uma parcela devastadora de profissionais de saúde em todo o mundo, os países africanos, em média, têm muito menos funcionários capazes de preencher as linhas de frente. A região subsaariana possui 0,2 médicos para cada 1.000 pessoas, segundo dados do Banco Mundial - bem abaixo da média mundial de 1,6. (A América do Norte possui 2,6 e a União Europeia possui 3,7.)

"Não podemos esperar e ver todos os nossos colegas infectados", disse Ndukwe Emmanuel Ifeanyi, membro do comitê nacional da Associação Nigeriana de Médicos Residentes, que representa 40% dos médicos do país. "Não temos mão de obra suficiente."
As restrições de viagens e exportação cortaram um fluxo importante de suprimentos médicos, disseram autoridades de saúde, expondo ainda mais médicos e enfermeiros.

"Perderemos mais recursos já muito, muito finitos", disse Noreen Hynes, diretor do Centro de Medicina Geográfica da Divisão de Doenças Infecciosas da Universidade Johns Hopkins.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS da Etiópia, enfatizou em março que surtos maciços poderiam rapidamente sobrecarregar hospitais, com poucos funcionários em todo o continente.

A África carrega uma fração desproporcionalmente pequena da carga de casos do mundo, embora os testes continuem limitados em algumas áreas. Mas com o aumento de infecções, os líderes da saúde dizem que as equipes médicas enfrentam crescentes obstáculos para afastar os piores cenários - particularmente na África Ocidental. Os fundos geralmente são escassos.
A Libéria está racionando máscaras e luvas da crise do Ebola 2014-2016. O país registrou mais de 650 casos de coronavírus na terça-feira - pelo menos 45 dos quais eram profissionais de saúde.
"Estamos maximizando os poucos recursos que temos", disse Sia Wata Camanor, diretora médica do John F. Kennedy Medical Center, na capital, Monróvia.

Ela aconselha os funcionários a fazer intervalos regulares, evitar riscos desnecessários e ficar em casa se começarem a se sentir mal.

"Um profissional de saúde positivo é muito perigoso", disse ela. "Você expõe seus colegas e expõe pacientes."

O vírus, ela diz aos funcionários, pode permanecer como a malária. Eles devem permanecer saudáveis ​​e motivados. Os recrutas são escassos.

Eghosa Owie, clínico geral de 26 anos em Lagos, Nigéria - a cidade mais populosa da África - está de olho na saída.

"Quase não conheço médicos graduados que não tenham pensado em deixar o país", disse ele, falando de sua sala de quarentena em um hotel convertido. "É outra epidemia na Nigéria."

O número de profissionais de saúde na Nigéria que deram positivo (987) mais que dobrou de 19 de maio a 23 de junho, mostram dados da OMS. Alguns acabaram em ventiladores. Dez morreram.

No centro de Camarões, 293 profissionais de saúde testaram positivo para o coronavírus, mas especialistas dizem que o número real é provavelmente muito maior.

"Faltam testes para testar a equipe", disse Charlot Essiane, líder sindical da capital, Yaoundé.





Seminário sobre Direitos Humanos e Liberdade de Religião


- Angola quer fomentar diálogo com minorias religiosas, “sobretudo com muçulmanos” 

  • A actividade teve os seguintes objectivos: Sensibilizar a sociedade angolana sobre a Liberdade de Religião, desde uma perspectiva de Direitos Humanos; Promover o diálogo com a Comunidade Muçulmana; Promover uma Cultura dos Direitos Humanos e a Implementação da Estratégia Nacional dos Direitos Humanos.

Participarm desta actividade técnicos dos diferentes Departamentos Ministeriais que compõem a Comissão Intersectorial de Elaboração de Relatórios Nacionais de Direitos Humanos (CIERNDH), representantes da Comunidade Islâmica em Angola e da Sociedade Civil.
Esta actividade realizou-se no âmbito da implementação da Estratégia Nacional dos Direitos Humanos (Decreto Presidencial nº 100/20 de 14 de Abril) cujo objectivo é tornar Angola numa referência na garantia, respeito e defesa dos Direitos Humanos, com base no princípio da dignidade da pessoa humana, bem como zelar pela observância e respeito pelos Direitos Humanos em Angola.
A Constituição da República de Angola consagra no Artigo 41º a Liberdade de consciência, religião e de culto. Em 2019, foi aprovada nova Lei sobre a Liberdade de Religião e de Culto (Lei nº 12/19, de 14 de Maio) e em 2020 o seu Regulamento através do Decreto Presidencial nº 51/20 de 28 de Fevereiro. O Executivo está firmemente empenhado na normalização da situação religiosa no país, tendo aprovado um conjunto de medidas que visam salvaguardar o exercício da liberdade de religião, crença e culto, promover o processo de reconhecimento das confissões religiosas e ao mesmo tempo proteger os cidadãos de todas as práticas religiosas que violam os Direitos Humanos e o respeito pela legislação em vigor.



  • Angola conta atualmente com 1.106 confissões religiosas não reconhecidas, "mas o número não reflete a realidade", anunciaram hoje as autoridades, reconhecendo que muitas denominações religiosas cristãs e não cristãs, espalhadas pelo país, "estão fora do seu controlo".


"Esse número não reflete a atual realidade, já que existem muitas denominações religiosas que estão fora do controlo do Instituto Nacional de Assuntos Religiosos [Inare] angolano e das administrações locais", afirmou hoje o diretor da instituição, Castro Maria.

Pelo menos 84 igrejas estão registadas e reconhecidas pelas autoridades angolanas.

O responsável falava hoje, em Luanda, durante um seminário sobre Direitos Humanos e Liberdade de Religião, promovido pelo Ministério da Justiça e Direitos Humanos de Angola, com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Com uma abordagem centrada no tema do seminário, Castro Maria recordou que entre 1987 e 2020 o Estado angolano reconheceu um total de 84 igrejas, e 79 associações de caráter religioso "estão registadas com personalidade jurídica", incluindo duas associações islâmicas.

Entretanto, notou, no período em análise o Governo angolano revogou o reconhecimento de quatro igrejas: a Igreja Manã Cristã e as três alas da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo, vulgo "Os Tocoístas".

"O ano de 2015 ficou marcado pelo reconhecimento de uma única igreja Tocoísta em Angola, porém o processo foi impugnado e está a ser analisado até agora pelo órgão judicial competente para os efeitos", explicou.

Numa incursão ao fenómeno religioso em Angola, o diretor do Inare recordou que em 2015 foram constituídas quatro plataformas ecuménicas, que congregavam 2.006 igrejas, no entanto, já revogadas "por não atingirem os fins pretendidos".

"Porque elas contribuíram para proliferação de igrejas", atirou.

Segundo o responsável, a denominação católica é a mais praticada no país, com 41% da população, entretanto o cristianismo corresponde a 79% das crenças religiosas no país, seguido pelas crenças animistas, islâmicas e judaicas.

Em Angola, onde o islamismo ainda não é reconhecido pelas autoridades, 12% dos cidadãos manifesta o ateísmo, ou seja, não pratica e nem acredita numa religião em particular.

Dignidade e cidadania, liberdade de religião e direitos humanos, e a religião muçulmana: dogmas e visão do mundo foram os temas abordados no encontro.


  • Angola quer fomentar diálogo com minorias religiosas, “sobretudo com muçulmanos” – Governo


Angola quer "fomentar o diálogo" com as minorias religiosas, "particularmente com a comunidade muçulmana", disse hoje fonte oficial, considerando que o país "tem sido um exemplo", na região e no continente, em matéria de promoção da liberdade religiosa.

Segundo a secretária de Estado para os Direitos Humanos e Cidadania angolana, Ana Celeste, as ações relativas à proteção, defesa e promoção da liberdade religiosa no país estão em perfeito alinhamento com o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos.

A governante, que falava hoje na abertura de um seminário sobre Direitos Humanos e Liberdade de Religião, referiu que o executivo angolano está firmemente empenhado na normalização da situação religiosa.

Outro "compromisso importante" do país, observou, tem a ver com a "promoção do processo de reconhecimento das confissões religiosas e, ao mesmo tempo, proteger os cidadãos de todas as práticas religiosas que violam os direitos humanos".

"Dentre várias preocupações, destaca-se o tratamento discriminatório dado às mulheres, designadamente, a relegação à condição de estigmatização, mutilação genital feminina e a o casamento poligâmicos e desiguais", afirmou.

Angola conta atualmente com 84 igrejas registadas e/ou reconhecidas pelas autoridades e mais de mil não reconhecidas.

O islamismo, que conta com milhares de crentes espalhados pelo país, ainda não é reconhecido pelas autoridades angolanas.

O seminário resulta do Plano de Execução da Estratégia Nacional dos Direitos Humanos, "recentemente aprovada", e do "compromisso assumido por Angola" aquando da defesa do II Relatório de Implementação do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e do II Ciclo de Avaliação Periódica Universal.

Sensibilizar a sociedade angolana sobre a liberdade de religião, "a partir de uma perspetiva de direitos humanos, fomentar o diálogo com as minorias religiosas, com particular realce para a comunidade muçulmana e promover a cultura dos direitos humanos", constituem os objetivos do encontro, segundo a governante.

"O presente seminário evidencia a nossa dimensão inter-religiosa enquanto nação, pois, conseguimos congregar neste evento, num clima totalmente harmonioso, pessoas de diferentes sensibilidades do nosso mosaico religioso", sublinhou.

Para Ana Celeste, a liberdade religiosa "relaciona-se fortemente com uma série de benefícios económicos, cívicos e de saúde pública".

"Numa perspetiva individual, as pessoas religiosas e que praticam a sua fé podem ter melhor vida familiar", notou.

Segundo as autoridades, 41% da população angolana é católica e 79% professa o cristianismo.

O encontro que juntou minorias religiosas, sobretudo muçulmanos, foi promovido pelo Ministério da Justiça e Direitos Humanos de Angola com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Angola aprovou, em 2019, a lei sobre a liberdade de religião e de culto, diploma regulamentado em fevereiro de 2020.

Muçulmanos em Angola entre orações e lamentos: notícias, análises e preconceitos




- notícias, pesquisas e um livro ruim sobre a comunidade muçulmana em Angola

1.Angola tem cerca de 800.000 muçulmanos (duvidoso), entre nacionais e estrangeiros residentes, na sua maioria em Luanda, que cumprem diariamente com rigor os pilares do islamismo, por entre lamentações sobre a forma como são encarados no país.

 O islamismo em Luanda ganha corpo com algumas mesquitas já edificadas, como a da comuna do Hoji-ya-Henda, no município do Cazenga, um dos mais populosos da capital angolana, construída há 12 anos e local de passagem obrigatória da comunidade muçulmana local.


2. Os muçulmanos em Angola são, maioritariamente cidadãos oeste-africanos (Guiné-Conakry, Mali, Mauritânia, Gâmbia, Senegal, etc.) estão a servir de bodes expiatórios para um problema estrutural muito mais profundo. Regra geral, os oeste-africanos mantêm-se à margem da economia formal, dedicando-se ao comércio precário de venda retalhista, cantinas e armazéns nos bairros periféricos. Nas Lundas, servem de compradores de diamantes para cidadãos israelitas e libaneses, maioritariamente.

3. Desde a operação resgate de 27 de novembro a 25 de dezembro de 2018, as autoridades angolanas encerramento menos 39 mesquitas, em Angola.
Aly António Muhalia, secretário regional do Islão na Lunda, declarou ao nosso correspondente, em Luanda, Daniel Frederico, ser uma violação da liberdade do culto muçulmano.
De notar que a religião islâmica ainda não é reconhecida pelas autoridades angolanas, mas noutras províncias angolanas, como na capital do país, as atividades dos muçulmanos "decorrem na normalidade" mas nas provincias como Cabinda, Zaire, Uíge e Lunda Norte, continua com restrições.

http://www.rfi.fr/pt/angola/20190506-autoridades-angolanas-encerram-mesquitas-em-tempo-de-ramadao


4. Angola não reconhece a religião islâmica, e, segundo António Aly, secretário da comunidade islâmica na Lunda Norte, nesta altura, não há nenhuma congregação aberta na região. Na última sexta-feira (08.02), foram detidos pastores que se encontravam em oração numa das mesquitas.
"Quando estávamos a rezar, surgiram os homens da polícia e entraram dentro da igreja e começaram a algemar os pastores", disse Aly.
Entretanto, os pastores foram colocados em liberdade.
Face a esta situação, o jornalista e analista angolano Ilídio Manuel não tem dúvidas: A "Operação Resgate" coloca em causa a liberdade religiosa em Angola.
"Há determinados locais de culto que foram encerrados no âmbito da 'Operação Resgate'. Não tenho dúvidas sobre isso. Tanto mais que já se fala também da detenção de alguns religiosos, que terão insistido com a sua atividade religiosa", disse Ilídio Manuel.

https://www.dw.com/pt-002/angola-opera%C3%A7%C3%A3o-resgate-p%C3%B5e-em-causa-a-liberdade-religiosa-diz-analista/a-47517678



5. Angola quer fomentar diálogo com minorias religiosas, “sobretudo com muçulmanos” – Governo

Angola quer "fomentar o diálogo" com as minorias religiosas, "particularmente com a comunidade muçulmana", disse hoje fonte oficial, considerando que o país "tem sido um exemplo", na região e no continente, em matéria de promoção da liberdade religiosa.

Segundo a secretária de Estado para os Direitos Humanos e Cidadania angolana, Ana Celeste, as ações relativas à proteção, defesa e promoção da liberdade religiosa no país estão em perfeito alinhamento com o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos.

A governante, que falava hoje na abertura de um seminário sobre Direitos Humanos e Liberdade de Religião, referiu que o executivo angolano está firmemente empenhado na normalização da situação religiosa.

Outro "compromisso importante" do país, observou, tem a ver com a "promoção do processo de reconhecimento das confissões religiosas e, ao mesmo tempo, proteger os cidadãos de todas as práticas religiosas que violam os direitos humanos".

"Dentre várias preocupações, destaca-se o tratamento discriminatório dado às mulheres, designadamente, a relegação à condição de estigmatização, mutilação genital feminina e a o casamento poligâmicos e desiguais", afirmou.

Angola conta atualmente com 84 igrejas registadas e/ou reconhecidas pelas autoridades e mais de mil não reconhecidas.

O islamismo, que conta com milhares de crentes espalhados pelo país, ainda não é reconhecido pelas autoridades angolanas.

O seminário resulta do Plano de Execução da Estratégia Nacional dos Direitos Humanos, "recentemente aprovada", e do "compromisso assumido por Angola" aquando da defesa do II Relatório de Implementação do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e do II Ciclo de Avaliação Periódica Universal.

Sensibilizar a sociedade angolana sobre a liberdade de religião, "a partir de uma perspetiva de direitos humanos, fomentar o diálogo com as minorias religiosas, com particular realce para a comunidade muçulmana e promover a cultura dos direitos humanos", constituem os objetivos do encontro, segundo a governante.

"O presente seminário evidencia a nossa dimensão inter-religiosa enquanto nação, pois, conseguimos congregar neste evento, num clima totalmente harmonioso, pessoas de diferentes sensibilidades do nosso mosaico religioso", sublinhou.

Para Ana Celeste, a liberdade religiosa "relaciona-se fortemente com uma série de benefícios económicos, cívicos e de saúde pública".

"Numa perspetiva individual, as pessoas religiosas e que praticam a sua fé podem ter melhor vida familiar", notou.

Segundo as autoridades, 41% da população angolana é católica e 79% professa o cristianismo.

O encontro que juntou minorias religiosas, sobretudo muçulmanos, foi promovido pelo Ministério da Justiça e Direitos Humanos de Angola com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Angola aprovou, em 2019, a lei sobre a liberdade de religião e de culto, diploma regulamentado em fevereiro de 2020.





6. Os muçulmanos em Angola são, maioritariamente cidadãos oeste-africanos (Guiné-Conakry, Mali, Mauritânia, Gâmbia, Senegal, etc.) estão a servir de bodes expiatórios para um problema estrutural muito mais profundo. Regra geral, os oeste-africanos mantêm-se à margem da economia formal, dedicando-se ao comércio precário de venda retalhista, cantinas e armazéns nos bairros periféricos. Nas Lundas, servem de compradores de diamantes para cidadãos israelitas e libaneses, maioritariamente.




7. Desde a operação resgate de 27 de novembro a 25 de dezembro de 2018, as autoridades angolanas encerramento menos 39 mesquitas, em Angola.
Aly António Muhalia, secretário regional do Islão na Lunda, declarou ao nosso correspondente, em Luanda, Daniel Frederico, ser uma violação da liberdade do culto muçulmano.
De notar que a religião islâmica ainda não é reconhecida pelas autoridades angolanas, mas noutras províncias angolanas, como na capital do país, as atividades dos muçulmanos "decorrem na normalidade" mas nas provincias como Cabinda, Zaire, Uíge e Lunda Norte, continua com restrições.
http://www.rfi.fr/pt/angola/20190506-autoridades-angolanas-encerram-mesquitas-em-tempo-de-ramadao

Angola não reconhece a religião islâmica, e, segundo António Aly, secretário da comunidade islâmica na Lunda Norte, nesta altura, não há nenhuma congregação aberta na região. Na última sexta-feira (08.02), foram detidos pastores que se encontravam em oração numa das mesquitas.

"Quando estávamos a rezar, surgiram os homens da polícia e entraram dentro da igreja e começaram a algemar os pastores", disse Aly.

Entretanto, os pastores foram colocados em liberdade.

Face a esta situação, o jornalista e analista angolano Ilídio Manuel não tem dúvidas: A "Operação Resgate" coloca em causa a liberdade religiosa em Angola.

"Há determinados locais de culto que foram encerrados no âmbito da 'Operação Resgate'. Não tenho dúvidas sobre isso. Tanto mais que já se fala também da detenção de alguns religiosos, que terão insistido com a sua atividade religiosa", disse Ilídio Manuel.


8. Este livro tem como objetivo, demonstrar a diferença entre o cristianismo e o islamismo quanto a sua teologia (revelação de Deus, compreensão da salvação, e a concepção da prática da implantação do reino de Deus); quanto a seus objetivos (incluindo principalmente o estabelecimento do Reino de Deus na terra); e quanto a sua influência em Angola. Com isso o autor procura defender uma proposta de reação bíblica e cristã para a Igreja Angolana diante do avanço do Islamismo em Angola; com o intuito de despertar a Igreja Angolana para sua obrigação cristã de evangelizar todos os mulçumanos que moram em seu território. Para isso o autor espera que esta obra possa apontar uma conduta religiosa que possa contribuir para a manutenção da liberdade religiosa e a liberdade de expressão e ideias, apresentando um discurso comparativo e crítico para que os amigos mulçumanos possam considerar a hipótese de que o cristianismo é a religião que une o homem a Deus.





9. MULHERES E CONVERSÃO AO ISLAM EM LUANDA (ANGOLA)
Heloisa Maria Paes de Souza
Texto apresenta a pesquisa de doutorado na qual pretende-se construir uma etnografia das conversões de mulheres ao islam na província de Luanda (Angola). A partir da compreensão de que conversão religiosa não é evento único, mas mudança cultural, processual, que implica aprendizagem/internalização de outra perspectiva de mundo e do sagrado, pretende-se compreender o porquê da opção das mulheres pelo islam, haja vista que a mídia angolana reproduz imagens negativas sobre a religião e que as lideranças muçulmanas ainda não obtiveram o reconhecimento jurídico, critério para que uma confissão religiosa seja legal no país.
Defendo a hipótese de que quando mulheres se convertem ao islam, religião aparentemente distante da matriz cultural angolana/lusófona, passam a ocupar posição entre dois mundos, tendo dificuldades para serem vistas e aceitas como angolanas, principalmente quando adotam práticas de modéstia como o uso do hijab. Os resultados têm mostrado que as convertidas lutam contra estereótipos e, em muitos casos, vivenciam situações de conflito na família e no trabalho.
Algumas convertidas procuram conciliar suas realidades com o ideário nativo sobre a “mulher muçulmana”, gerenciando suas vidas cotidianas a partir de interpretações dos textos canônicos que lhes conferem maior empoderamento.

10. “Uma religião de estrangeiros e alheia à cultura nacional”: discursos e ações contra o Islam em Angola - Heloisa Maria Paes de Souza (UFPA)
Resumo:
Desde suas origens o Estado angolano procura manter o controle das religiões no espaço
público através de um modelo de gestão intervencionista caracterizado, atualmente, pela
Lei sobre Exercício da Liberdade de Consciência, de Culto e Religião, de 2004, que
estabelece os requisitos necessários para que as religiões sejam reconhecidas legalmente
e tenham capacidade para atuar em favor de seus membros. Nesse cenário, todas as
tentativas de reconhecimento jurídico empreendidas por organizações islâmicas têm sido
negadas, chegando ao ponto de, no último semestre de 2013, o governo angolano
interditar e/ou destruir espaços de culto (mesquitas e centros islâmicos) em diversas
províncias, o que levou a mídia internacional a propagar que Angola teria banido o Islam
de suas fronteiras. Alegando que a religião muçulmana é praticada por estrangeiros
(muitos dos quais em situação ilegal), que submete as mulheres à condição de
submissão/opressão e que é uma crença estranha à cultura nacional, líderes religiosos e
governamentais têm se expressado contra o Islam na mídia local, reproduzindo discursos
islamofóbicos. O presente artigo, fruto de pesquisa bibliográfica e de campo (entre 2015
e 2017), objetiva, a partir de um breve histórico do Islam em Angola, apresentar as tensas
relações vividas pela comunidade muçulmana local na luta pelo reconhecimento jurídico,
assim como discursos e ações contrários à presença islâmica no país.


11- Angolanos queriam trazer doutrina do Estado Islâmico em Luanda
O Ministério Público acusou formalmente seis jovens, de nacionalidade angolana, cinco dos quais em prisão preventiva desde Dezembro, de organização terrorista e de terem jurado “fidelidade e obediência” ao Estado Islâmico.

De acordo com a acusação deduzida contra os seis elementos, de 26 de abril e à qual a MFM teve acesso, estes criaram em 2015, em Angola, o “grupo muçulmano radical denominado ‘Street Da Was’”.

Os arguidos, com idades entre os 23 e os 39 anos e residentes em Luanda, de acordo com a acusação, criaram aquele grupo, “formado por cidadãos nacionais convertidos ao Islão“, que “tinha como objetivo a divulgação do islamismo nas ruas, usando a sigla ‘ISLAMYA ANGOLA’” e que “publicava e disseminava entre os seus membros, através das redes sociais, matérias e temas de cariz radical”.



12. DECISÕES A FAVOR E CONTRA A IMPLANTAÇÃO DE MESQUITAS EM ANGOLA

Maka Angola ilustra a sua investigação sobre o Islão com a descrição cronológica de algumas medidas das autoridades locais a favor e contra a implantação do Islão nas províncias de Luanda, Zaire, Lunda-Norte, Malange, Huambo e Bié.



13. RELATÓRIO INTERNACIONAL SOBRE A LIBERDADE RELIGIOSA EM ANGOLA DE 2019



14. Islão Ambivalente: A construção identitária dos muçulmanos sob o poder colonial português
Mário Artur Machaqueiro
Baseado em documentação de arquivos portugueses e franceses, o artigo procura assinalar as mais notórias representações identitárias que ideólogos e membros do aparelho colonial português construíram em torno dos grupos islâmicos da Guiné-Bissau e de Moçambique, incidindo especialmente nesta última colónia. Tais imagens articularam-se com as estratégias de governação das populações muçulmanas num quadro colonialista, sobretudo após a eclosão das guerras coloniais. O artigo defende que a posição semiperiférica de Portugal no sistema-mundo conferiu às suas representações e estratégias identitárias, nomeadamente às que se reportam aos muçulmanos colonizados, um carácter de profunda ambivalência

https://journals.openedition.org/cea/392



15. “O Islão em Angola já é uma realidade”


O impasse da legalização do islamismo em Angola persiste, com várias vozes a acusar o governo de dificultar o processo e relatos de crispação interna. O seu vice-emir (título laico atribuído a um líder), Altino Miguel “Umar”, em declarações ao Rede Angola, afirma que os maiores problemas são o exagerado número de fiéis exigido na actual lei sobre a liberdade religiosa, as perseguições a que são sujeitos os fiéis e aventa a possibilidade de haver envolvimento político no impasse que continua no processo de reconhecimento.

Criada em 2007, a Comunidade Islâmica de Angola (CISA) teve a sua primeira direcção em 2010. Até então era governada por uma comissão ad hoc, actualmente liderada pelo emir Mateta Nzola.

16. Islam in Southern Africa
Gorkeh Gamal Nkrumah

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Pandemia em África - corrida de longa distância




  
Dr. CHIBUZO OKONTA, PRESIDENTE Médicos Sem Fronteira WEST AFRICA

Aqui está a coisa: não há monopólio do conhecimento! Nossos sistemas de saúde certamente carecem de unidades de terapia intensiva, leitos e respiradores. Eles certamente não podem reivindicar um número suficiente de pessoal de enfermagem qualificado para cuidar de pacientes que precisarão de oxigênio. Mas desenvolvemos resiliência, habilidades e conhecimentos por meio de nossa experiência adquirida no gerenciamento de emergências e epidemias.

Embora reconheçamos nossa fragilidade, ela apresenta mais oportunidades de inovação. Nossos sistemas de saúde estão cientes de seus limites e conscientes das capacidades locais, mas diante de uma emergência como essa, podemos aumentar nossa resposta de capacidade e realizar uma triagem melhor. Aprendemos com experiências infelizes que não podemos salvar a todos.

Trabalhando com pessoas
Uma coisa importante a ter em mente é o imperativo de trabalhar com as pessoas. Eles precisam fazer parte do debate e da ação em todas as etapas, seja prevenção, preparação ou atendimento. Não se trata apenas de projetar e implementar uma resposta, por meio de hábitos de autoproteção, para as classes média e urbana. As decisões devem ser tomadas em conjunto.

A questão do bloqueio sanitário deve ser abordada por meio dessa abordagem coletiva e comunitária. As medidas restritivas postas em prática pelos nossos estados nos permitiram retardar a propagação da pandemia e nos preparar melhor. No entanto, essas medidas não impedirão a propagação da infecção, particularmente em nossos bairros densamente povoados ou quintais familiares. Além disso, as medidas terão um impacto econômico e social muito pesado sobre as pessoas que subsistem com ganhos diários mínimos.

A abordagem coletiva deve ser alterada, a fim de possibilitar a sobrevivência de nossos concidadãos e garantir que todos sigam medidas preventivas básicas: lavagem regular das mãos, boa higiene respiratória e respeito à distância física, além do uso de máscaras.

As pessoas devem ser ajudadas, assegurando que os meios para seguir essas medidas estejam disponíveis e utilizáveis. Na Costa do Marfim, por exemplo, as equipes de MSF providenciaram que as máscaras de tecido fossem fabricadas localmente e distribuídas às pessoas locais. “Eu protejo você, você me protege” - porque, sim, também devemos incentivar a solidariedade local em resposta à pandemia.
Compartilhar informações e aumentar a conscientização é essencial para combater uma epidemia. Para a população, é um direito e, para nós, como médicos e pesquisadores, é um dever. Uma relação de confiança com nossos concidadãos deve ser restaurada. Isso significa que temos o dever de transparência sobre o que estamos fazendo, especialmente aqui, vendo a velocidade com que circulam as notícias falsas.

Sim, vacinamos populações de maneira preventiva. Sim, participamos de ensaios clínicos sobre tratamentos e vacinas. Fizemos isso antes do COVID-19 e continuaremos a fazê-lo depois - espero -, pois essa é uma medida de saúde pública bem-sucedida para proteger as pessoas de doenças como sarampo, meningite ou Ebola.

Para constar, a vacina MenAfriVac, para proteger contra a meningite A, foi introduzida em 2009 após vários anos de ensaios clínicos. As campanhas de vacinação em massa foram realizadas nos últimos 10 anos e não houve surto de meningite A na região desde então. Alguns de nossos leitores podem ser jovens demais para se lembrar disso, mas a maioria deles realmente se beneficiou.

Vamos falar diretamente com as pessoas para evitar qualquer desconfiança. Vamos incentivar a solidariedade global a lidar com qualquer discriminação, principalmente quando se trata de acesso a tratamento e vacinas, caso estejam disponíveis. É mais do que necessário para permitir que uma grande maioria de pessoas chegue à linha de chegada dessa longa distância.